sábado, 22 de dezembro de 2012


Papo Cabeça; Universitário:
Ciências Contábeis

Chester Barnard
Nascido em 1886, faleceu em 1961. Chester Barnard foi gestor na companhia de telefones Bell durante 40 anos, tornando-se mais tarde presidente. Foi dos primeiros a estudar os processos de tomada de decisão, o tipo de relações entre as organizações formais e informais e o papel e as funções do executivo. Contrariamente a sociólogos como Max Weber, ele considerava as empresas como instrumentos mais eficazes para o progresso social do que o Estado ou as igrejas. Enquanto estas são baseadas na autoridade formal as empresas regem-se pela cooperação entre indivíduos ligados por uma causa comum, mas que têm uma vida curta. Segundo Barnard, as organizações nao sobrevivem por não estarem de acordo com 2 critérios essencias para sua sobrevivência: efetividade e eficiência. Enquanto sua definição de efetividade era a usual, a de eficiência em uma organização referia-se ao grau em que uma organização se encontra quanto à capacidade de satisfazer as necessidades dos indivíduos; se uma organização atende às necessidades individuais enquanto atinge seus objetivos explícitos, a cooperação entre os membros deve perdurar. Ele analisou questões como a liderança, a cultura e os valores 30 anos antes de o mundo empresarial se aperceber da sua existência. Discutiu em seu livro "As funções do executivo" o que o título sugere, mas não de um ponto de vista intuitivo, mas sim derivadamente de sua concepção de sistemas cooperativos. As suas obras mantêm uma atualidade surpreendente.
Barnard formulou duas interessantes teorias: uma sobre autoridade, e outra sobre incentivos. As duas são vistas no contexto do sistema comunicativo e são regidas por sete regras essencias:
  • Os canais de comunicação devem ser definidos;
  • Todos devem conhecer os canais de comunicação;
  • Todos devem ter acesso aos canais formais de comunicação;
  • Linhas de comunicação devem ser mais curtas e diretas possível;
  • A competência de pessoas que servem como centros de comunicação deve ser adequada;
  • A linha de comunicação não deve ser interrompida enquanto a organização estiver funcionando;
  • Toda comunicação deve ser autenticada.
Dessa forma, o que torna a comunicação autoritativa depende do subordinado, e não do superior. A perspectiva de Barnard tinha afinidades com a de Mary Parker Follett, o que era incomum em seu tempo. Ele dizia que os gestores devem obter autoridade tratando seus subordinados com respeito e competência.
Quanto aos incentivos, ele propôs duas formas de convencer subordinados a cooperarem: incentivos tangíveis e persuasão. Muita importância é dada à persuasão, mais além do que incentivos econômicos. Ele descreveu quatro incentivos gerais, e quatro específicos. Os específicos eram:
1.         Dinheiro e outras formas de indução material;
2.         Oportunidades pessoais não-materias de distinção;
3.         Condições físicas ideais para o trabalho;
4.         Benfeitorias ideias, como o orgulho de ser trabalhador, etc.

  Chester Irving Barnard (1886-1961)
   Barnard nasceu em Malden, Massachusetts, tendo ingressado em Harvard em 1906, onde cursou Economia, mas não recebeu o diploma por não haver concluído uma disciplina de laboratório. Barnard foi um sociólogo de organizações sem portifólio, por mais de trinta anos trabalhou na American Telephone and Telegraph (AT&T). Atuou também, na Rockfeller Foundation, por quatro anos.
   Barnard deixou dois livros: The Functions of the Executive e Organization and Management, publicados pela Harvard University Press, dos quais o primeiro é a sua “obra-prima”.

       A Natureza do Sistema Social Cooperativo
   Barnard desenvolveu estudos e teorias de organizações cujo propósito era estimular o exame da natureza dos sistemas cooperativos. Certa vez comentou:
  “falhas sociais no decorrer da história se deveram a falhas em prover cooperação humana nas organizações formais”.
 Disse também que:
  “a organização formal é aquele tipo de cooperação entre homens que é consciente, deliberado e com propósito”.

   A noção do conceito de sistema cooperativo começou com o indivíduo, como um ser discreto; ele notou que seres humanos não funcionavam, exceto em conjunto com outros humanos.
   A organização influencia as pessoas por meio do controle exercido pelos seus executivos, modificando seus comportamentos. A disparidade entre motivos pessoais e organizacionais Barnard á dicotomiaeficácia/eficiência. Um sistema formal de cooperação requer um objetivo ou propósito; se a cooperação resultar em processo, a meta é alcançada e o sistema é eficaz.
   O conceito de eficiência é diferente; eficiência cooperativa é o resultado das eficiências individuais, desde que a cooperação seja dirigida somente para satisfazer “motivos individuais”.
   A cooperação dentro das organizações formais permite possibilidades de expansão do poder do grupo, além do que o indivíduo poderia realizar sozinho. Pessoas cooperam para fazer o que não poderiam fazer sozinhas. A única medida da eficiência de um sistema cooperativo é a sua capacidade de sobrevivência. Para Barnard, isto significa a habilidade da empresa continuar a oferecer indução sufuciente para satisfação de motivos individuais na perseguição de propósitos do grupo.
   Na visão de Barnard, o desejo de cooperar é o primeiro elemento universal; o o segundo elemento, o propósito comum, isto é, o objetivo da organização. De acordo com Barnard:
  Organização é um sistema de atividades conscientemente coordenadas, ou forças de duas ou mais pessoas, dispostas a contribuir com ação para alcance de um propósito comum.

       As funções do Executivo

   Para Barnard, os executivos operavam como centros de interconexão num sistema de comunicações, e procuravam manter a coordenação para o esforço cooperativo.
  Barnard postulou três funções que o executivo deveria realizar:
1. prover um sistema de comunicação – para manter a organização em funcionamento eficaz;
2. promover a garantia dos esforços pessoais – para estabelecer uma relação cooperativa;
3. formular e definir objetivos da organização – para a ordenação dos trabalhos necessários.

   Barnard foi um executivo erudito, que usou sua própria experiência para estabelecer sua teoria de sistemas cooperativos, mas também usou estudos de outros teóricos como Elton Mayo e Fritz Roethlisberger. Barnard demonstrou ser possível, a um executivo prático, elaborar uma teoria administrativa, até certo ponto coerente e capaz de ser aplicada.

       Críticas aos Estudos de Barnard

   Ainda que Barnard e Fayol tratassem da organização formal, Barnard colocou maior ênfase nas redes de comunicação, as quais ele denominou de organização informal. Barnard também deu uma visão maior da organização por si, pela inclusão não somente de empregados e gerentes, mas de investidores, fornecedores, usuários e clientes, nos seus estudos e considerações.
   Barnard sustentava que a organização tinha papel duplo, relacionado parcialmente com o alcance dos objetivos declarados. Ele também pôs grande ênfase na autonomia e na liberdade do indivíduo para renunciar á organização, também achava necessário que a organização tivesse um conjunto de valores, que os executivos deveriam ser os repositores e condutores desses valores aos outros, por meio da comunicação. Barnard era hostil aos sindicatos, ele via os sindicatos como fontes de competição da lealdade e dos valores dos empregados.
   Tanto Follett como Barnard buscavam desenvolver os meios para integrar as pessoas e as organizações. Follett focalizou mais as pessoas e como elas podiam direcionar os seus esforços para os objetivos, Barnard estudou tanto a parte formal quanto a informal das organizações.                        

Simone Sena

Nenhum comentário:

Postar um comentário