Questão de Opinião
Proibição não é solução
Volta a discussão sobre a circulação de motos em São Paulo
O ano mal começou e o novo prefeito Fernando Haddad já começou a olhar torto para as motos. Com base em uma estatística totalmente furada e viciada, deu mostras ainda de ser muito ingênuo ou acreditar que a população é desinformada.
Ele apontou a proibição da circulação de motos na marginal Tietê, desde agosto de 2010, como uma medida eficiente pois reduziu o número de acidentes naquele local. Ora, mas é tão óbvio quanto o escuro após o pôr do sol: se as motos foram proibidas de circular naquela via seria muito estranho se aumentasse o número de acidentes! É como resolver o problema de goteira em casa torcendo pelo fim das chuvas!
A partir desta brilhante conclusão, o prefeito pretende agora expandir as áreas de restrição à circulação de motos. Mas não fez qualquer referência ao número total de acidentes envolvendo motos na cidade para medir se não houve apenas a migração dos locais de acidentes.
A medida mais uma vez tenta tratar o assunto da falta de educação no trânsito por meio de "canetadas" em vez de repensar a política de investimentos na mobilidade urbana como um todo e em conjunto com o governo do Estado.
São Paulo vive uma situação complexa de administração porque o sistema metroviário é de competência do Estado, mas o trânsito é gerência municipal, o que de cara cria conflitos de interesse. Um exemplo claro foi a suspensão dos bicicletários em algumas estações do metrô. O serviço de extrema importância para dar mobilidade urbana está parado por falta de empresas privadas que patrocinem. Mas os quase um bilhão de reais arrecadados com multas em 2012 não são suficientes para manter dez containeres alugados em pontos da cidade? Precisa verba da iniciativa privada?
Não falta verba para uma cidade do tamanho de São Paulo, mas falta muito interesse. Por enquanto ainda somos reféns da indústria da multa, que precisa sempre mais veículos particulares em circulação, pois são os "clientes" potenciais e bicicleta não gera multa.
O uso da motocicleta em São Paulo parece que é visto como um mal necessário. Aos olhos da administração pública um adulto de 80 kg usar um carro de 1.500 kg para se locomover parece ser mais inteligente do que usar um veículo de 150 kg que ocupa 1/4 do espaço. Talvez São Paulo seja a única metrópole do mundo que ainda privilegia o automóvel como meio de transporte urbano.
Não podemos ter ciclovias permanentes pois isso implica na redução de espaço para os carros. Não podemos aumentar as motofaixas na cidade porque isso também reduz o espaço para os automóveis. Enfim, apesar de tentar mostrar o inverso nos discursos de palanque, a verdade é que a prefeitura de São Paulo vê o carro como uma fonte de renda e não de problema.
A cidade recebe uma carga de 4.000 motos a mais em circulação todos os meses e as ruas não são previstas para recebê-las. Apesar de a administração adorar as taxas de ISS e ICMS geradas a partir de toda a cadeia produtiva e comercial envolvida neste mercado. Muitos dos nossos viadutos nem sequer tem cerca de proteção para impedir que o motociclista seja arremessado lá de cima.
A cidade tinha de investir em mais motofaixas, na fiscalização dos motoboys clandestinos, no combate ao roubo e receptação de motos que cresce exponencialmente. Este princípio da restrição resolve um problema local, mas não ataca a situação quase epidêmica de acidentes de trânsito. Antes de proibir é preciso apresentar opções mais inteligentes.
É mais uma vez a proibição sendo usada como forma de educação. Parece que vivemos em uma espécie de descrença no cidadão. A municipalidade não acredita que possa haver harmonia no trânsito e que todos os motociclistas são transgressores até que provem o contrário.
Proibir nunca foi uma maneira eficiente de educar. Proibir é a forma mais fácil de resolver um problema difícil!
Buzinaço
No dia 13 de janeiro um grupo de cerca de 250 motociclistas fez um Buzinaço pela Paz, pedindo mais empenho das autoridades no combate ao roubo de motos. A iniciativa partiu do jornalista e colunista do Webmotors, Geraldo Tite Simões, depois de sofrer o terceiro assalto em 12 anos.
O grupo saiu da Praça Charles Miller e seguiu em comboio até a Assembléia Legislativa.
Ele apontou a proibição da circulação de motos na marginal Tietê, desde agosto de 2010, como uma medida eficiente pois reduziu o número de acidentes naquele local. Ora, mas é tão óbvio quanto o escuro após o pôr do sol: se as motos foram proibidas de circular naquela via seria muito estranho se aumentasse o número de acidentes! É como resolver o problema de goteira em casa torcendo pelo fim das chuvas!
A partir desta brilhante conclusão, o prefeito pretende agora expandir as áreas de restrição à circulação de motos. Mas não fez qualquer referência ao número total de acidentes envolvendo motos na cidade para medir se não houve apenas a migração dos locais de acidentes.
A medida mais uma vez tenta tratar o assunto da falta de educação no trânsito por meio de "canetadas" em vez de repensar a política de investimentos na mobilidade urbana como um todo e em conjunto com o governo do Estado.
São Paulo vive uma situação complexa de administração porque o sistema metroviário é de competência do Estado, mas o trânsito é gerência municipal, o que de cara cria conflitos de interesse. Um exemplo claro foi a suspensão dos bicicletários em algumas estações do metrô. O serviço de extrema importância para dar mobilidade urbana está parado por falta de empresas privadas que patrocinem. Mas os quase um bilhão de reais arrecadados com multas em 2012 não são suficientes para manter dez containeres alugados em pontos da cidade? Precisa verba da iniciativa privada?
Não falta verba para uma cidade do tamanho de São Paulo, mas falta muito interesse. Por enquanto ainda somos reféns da indústria da multa, que precisa sempre mais veículos particulares em circulação, pois são os "clientes" potenciais e bicicleta não gera multa.
O uso da motocicleta em São Paulo parece que é visto como um mal necessário. Aos olhos da administração pública um adulto de 80 kg usar um carro de 1.500 kg para se locomover parece ser mais inteligente do que usar um veículo de 150 kg que ocupa 1/4 do espaço. Talvez São Paulo seja a única metrópole do mundo que ainda privilegia o automóvel como meio de transporte urbano.
Não podemos ter ciclovias permanentes pois isso implica na redução de espaço para os carros. Não podemos aumentar as motofaixas na cidade porque isso também reduz o espaço para os automóveis. Enfim, apesar de tentar mostrar o inverso nos discursos de palanque, a verdade é que a prefeitura de São Paulo vê o carro como uma fonte de renda e não de problema.
A cidade recebe uma carga de 4.000 motos a mais em circulação todos os meses e as ruas não são previstas para recebê-las. Apesar de a administração adorar as taxas de ISS e ICMS geradas a partir de toda a cadeia produtiva e comercial envolvida neste mercado. Muitos dos nossos viadutos nem sequer tem cerca de proteção para impedir que o motociclista seja arremessado lá de cima.
A cidade tinha de investir em mais motofaixas, na fiscalização dos motoboys clandestinos, no combate ao roubo e receptação de motos que cresce exponencialmente. Este princípio da restrição resolve um problema local, mas não ataca a situação quase epidêmica de acidentes de trânsito. Antes de proibir é preciso apresentar opções mais inteligentes.
É mais uma vez a proibição sendo usada como forma de educação. Parece que vivemos em uma espécie de descrença no cidadão. A municipalidade não acredita que possa haver harmonia no trânsito e que todos os motociclistas são transgressores até que provem o contrário.
Proibir nunca foi uma maneira eficiente de educar. Proibir é a forma mais fácil de resolver um problema difícil!
Buzinaço
No dia 13 de janeiro um grupo de cerca de 250 motociclistas fez um Buzinaço pela Paz, pedindo mais empenho das autoridades no combate ao roubo de motos. A iniciativa partiu do jornalista e colunista do Webmotors, Geraldo Tite Simões, depois de sofrer o terceiro assalto em 12 anos.
O grupo saiu da Praça Charles Miller e seguiu em comboio até a Assembléia Legislativa.
Edinei Sena
Nenhum comentário:
Postar um comentário